Publicado em 24/06/2009 08h18

Desemprego afeta 396 mil pessoas na RMS


A quantidade de pessoas desempregadas na Região Metropolitana de Salvador (RMS) aumentou em 20 mil, de acordo com a mais recente Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Com isso, o número estimado de pessoas desempregadas chegou aos 396 mil, o que representa 21,6% da população economicamente ativa.

Os postos de trabalho na indústria encolheram 9,7% e desta vez o  setor de serviços, que vinha sustentando bons resultados, acompanhou os maus resultados, com um recuo de 1,9%, assim como construção civil, o trabalho doméstico e outras atividades, com recuo de 1,8%.

Estes números deixam os especialistas no mercado de trabalho na expectativa de que uma recuperação consistente na geração de empregos deve ser aguardada para o segundo semestre. “Nossa expectativa é de que nos próximos meses as políticas do governo para o enfrentamento da crise surtam os efeitos esperados”, comenta a coordenadora da PED no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ana Margareth Simões. “A gente ainda sofre os reflexos da crise”, afirma.

A pesquisadora atribui os números negativos à queda na ocupação da indústria e nos serviços, “que estavam sustentando resultados positivos”. De abril para maio, o setor perdeu 17 mil vagas. Este resultado fez o setor encolher 9 mil vagas, desta vez na comparação com o mês de maio do ano passado.

Os números positivos na pesquisa ficaram restritos ao comércio, que apresentou um aumento de 11 mil postos de trabalho em relação ao mês de abril, correspondentes a um aumento de 5%.

O crescimento se repete mesmo na comparação com o mesmo período do ano, quando não havia influência da crise. Nesta comparação, a expansão dos postos de trabalho foi de 3%, totalizando 230 mil empregos na atividade. “O comércio foi influenciado pelo movimento gerado em função do Dia das Mães”, lembra Ana Margareth

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta, o bom desempenho de maio pode ser compreendido como uma compensação ao ritmo fraco de meses anteriores. “Em março, atingimos o nosso teto de demissões, quando não tivemos condições de efetivar muitas das vagas temporárias criadas em dezembro”, lembra Motta.

Ele entende que os números de maio indicam claramente uma reação do setor, mas, como bom representante de classe, faz uma ressalva em forma de apelo: “Estamos atravessando uma boa fase, que tem tudo para se repetir no segundo semestre, mas o governo precisa ser sensível em relação à questão do IPI”. Segundo estimativa do Sindilojas, a medida promoveu um aumento nas vendas entre 15% e 20%.

Vulneráveis
– Um movimento que ficou claro na pesquisa de maio é que o desemprego está atingindo mais as pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Entenda-se por isso os trabalhadores assalariados sem carteira assinada, os informais e quem vive do trabalho doméstico.  “É mais fácil cortar os postos nestes casos por causa dos custos trabalhistas”, destaca Ana Margareth.

O raciocínio dela fica claro quando confrontado com os números da pesquisa. Enquanto os empregos com carteira assinada mantiveram-se com uma relativa estabilidade, graças à criação de 2 mil postos, perderam-se 5 mil empregos sem carteira, o que representou uma queda de 3,7%.  O número de autônomos também diminuiu (-11 mil), assim como o de trabalhadores domésticos (-5 mil).

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